PARA:
Ministério da Cultura – SPPC
Prefeitura de Goiânia – SECULT
Gabinete do Prefeito
Assunto:
RECURSO SOBRE SELEÇÃO DOS PONTOS DE CULTURA NO MUNICÍPIO DE GOIÂNIA – GOIÁS
Nós, entidades integrantes do Programa Cultura Viva, através de convênios com o MINC e estabelecidos como Pontos de Cultura no Estado de Goiás estamos acompanhando o processo de implantação desta fase do Mais Cultura!, com a participação de Prefeitura de Goiânia através da SECULT – Secretaria de Cultura e do Governo do Estado de Goiás, através da AGEPEL – Agência Goiânia de Cultura Pedro Ludovico Teixeira, como parte integrante que somos, incentivadora e colaborativa, com o objetivo de contribuir para a formação de uma rede cultural popular nacional e em nosso Estado.
O Programa Cultura Viva do MinC tem como pressuposto apoiar atividades culturais que estão sendo desenvolvidas por organizações da sociedade civil, visando criar condições para que estas possam ampliá-las. Estes princípios foram expostos no discurso do então Ministro Gilberto Gil no lançamento do programa Cultura Viva, nos editais e representados nos vários itens do formulário que cada concorrente tem que preencher.
“Estamos aqui para lançar um programa de inclusão social, de geração de emprego, um programa para juventude rural e urbana de baixa renda de todo País. A novidade é que além destas finalidades, o programa tem a cultura como ponto de partida.
Os Pontos de Cultura são espaços como este, onde estamos agora. São formados por grupos de artistas, arte-educadores, gestores e produtores culturais.
Grupos que promovem a inclusão social por meio de atividades culturais e alcançam adultos, idosos, jovens e crianças com suas ações. Os Pontos de Cultura são iniciativas legitimadas e admiradas nas suas regiões, com grande capacidade de mobilização e multiplicação.
Os Pontos de Cultura são escolhidos a partir de chamada pública e se consolidam a partir da organização local pré-existente, a partir das iniciativas da própria sociedade.
Nesta equação complexa, o Governo assume o papel intransferível de mapear, valorizar e potencializar o que está vivo, em pleno movimento. Volto a dizer que estamos invertendo o fluxo dos processos históricos. Agora será da periferia a periferia, e depois ao centro.”
(Discurso do Ministro Gilberto Gil – 20.12.2004, no lançamento do Programa Cultura Viva)
Os atuais Pontos de Cultura estão articulados em uma Rede Nacional – a TEIA, que possui uma coordenação em cada Estado. A principal função desta coordenação é exercitar outros pressupostos do programa: participação, empoderamento e autonomia.
A TEIA deve se tornar o espaço de gestão colegiada e participativa dos Pontos de Cultura e, apesar de não compor a Comissão de Seleção de novos Pontos, a TEIA deve estar atenta para que as diretrizes do Programa sejam respeitadas no processo de seleção e contribuir da melhor forma possível para o bom andamento, a transparência e consolidação deste Programa.
O resultado da seleção de Pontos de Cultura para Goiânia nos surpreendeu pelas seguintes razões:
1. Falta de transparência e democratização do processo de seleção. Em nenhum momento aceitaram dialogar com os Pontos de Cultura já existentes em Goiânia, até para colaborarem na elaboração do Edital.
2. Até hoje as entidades não selecionadas não tiveram acesso às razões da exclusão.
3. Foram contempladas algumas instituições que não têm histórico de trabalho sociocultural, portanto não cumprem as diretrizes do Programa Cultura Viva, expostas pelo Ministro, pelos editais, portarias e demais documentos formais que compõem o Programa Cultura Viva. O representante da UBE – União Brasileira de Escritores – Goiás (O Popular - 13.01.2009) reconheceu, alegando que não o fizeram anteriormente por falta de recursos. Ora, este é um pressuposto do Programa Cultura Viva, contribuir com organizações que, mesmo sem recursos, estão realizando atividades culturais voltadas e com as classes populares.
4. Ao selecionar as Academias de Letras, a UBE, o Instituto José Mendonça Teles, o Instituto Histórico e Geográfico, paralelamente não foram selecionadas entidades do próprio meio popular ou que fazem trabalhos voltados para este, ou seja, os Pontos de Cultura vivos e que, inclusive, estão articuladas com os atuais Pontos de Cultura.
Diante do exposto, nós, integrantes e coordenadores da TEIA na Região Centro Oeste, requeremos:
- Ter acesso aos projetos inscritos no Edital, pois são documentos públicos.
- Que o MinC e a Secretaria de Cultura do Município de Goiânia revejam a seleção e que todas as entidades aprovadas que não atendam às diretrizes do Programa Cultura Viva sejam excluídas, contemplando outras instituições inscritas.
Goiânia, 19 de janeiro de 2009.



